quinta-feira, 19 de abril de 2012

COMPANHEIROS NA SOLIDÃO




Ricardo e Marcela formam um casal bonito . Eles são casados há mais de vinte anos .

 

Da união nasceram filhos . Filhos que a vida já levou , cada um para o seu lado .

 

A menina cresceu , e , ordem natural das coisas , encontrou seu outro lado da moeda e juntou sua vida a dele . Casaram e já se estabeleceram em outro endereço .

 

O rapaz , esse daria uma crônica exclusiva . Enveredou para o lado obscuro , aquele que , inadvertidamente , dizem que não tem volta .

 

É dependente químico ...  E seus pais são dependentes dele . Como todo pai nessa situação .

 

Neste momento se encontra em tratamento , em outro estado .

 

Por uma série de motivos , Ricardo e Marcela já não se comportavam como um casal tradicional .  A vida tratou de separar suas vidas .

 

Vivem no mesmo CEP , habitam a mesma casa , mas não compartilham da presença um do outro .

 

Vivem , não convivem .

 

Ambos trabalham , e só coabitam o ambiente à noite .

 

À mesa do jantar , trivialidades . Depois , Ricardo elege como aliado o controle remoto da tv , enquanto Marcela  convida para a cama seus companheiros noturnos , os livros . Até que o sono os una sob o edredon . Sem contato físico .

 

O problema do filho , em vez  de aproximá-los , colaborou para que o abismo entre eles aumentasse .

 

Não houve acusações mútuas , ninguém se cobrou o porquê da opção do filho , mas , sozinhos e impotentes , tentaram , cada um a seu modo , entender a trapaça que a vida lhes impôs .

 

Tomaram as providências cabíveis e , desde então , lutam a luta insana que a situação exige . Internações , tratamentos , fugas , recaídas , internações... E a distância entre eles aumentando .

 

São amáveis um com o outro... Mas não se amam . Ou acham que não se amam mais...

 

O amor , tal qual o clima , também tem suas estações  . Explode em luminosa paixão  como o  verão ,  apresenta sua face carrancuda  no inverno ,  mostra sua beleza  através das flores da primavera , e se esconde  , como numa  hibernação outonal . Hiberna , mas está lá, escondido .

 

Ricardo e Marcela , com tantos percalços , tantas contrariedades , tantas provas , talvez não estejam entendendo os códigos da vida . E se separam , ao invés de se unir . Nesses casos dois são um e um é nada .

 

Infelizmente , Ricardo e Marcela não são raridade nesta estrada chamada vida .

 

São companheiros na solidão .  

Nenhum comentário:

Postar um comentário