terça-feira, 21 de maio de 2013

BRINCANDO DE ¨ NÃO TÔ NEM AÍ ¨.





No quarto escuro o corpo inerte finge que vê tv.



O relógio passou da marca que limita o dia, delimita a noite.


Mais um ciclo cumprido no quarto escuro.


O pensamento, senhor de nós, autônomo, vontade própria, não cabe dentro do quarto escuro, espaço concreto  impotente para encurralar a abstração. 


Divaga, solto, longe de onde nos encontramos fisicamente.


Vai e volta, quando, ele sabe, a vontade era ficar  onde teima em ir.


Vontade...


Nem sempre ela determina, quase sempre ela nada significa diante do que temos que cumprir, acatar, aquiescer, aceitar.


Ele se esvai e voltamos a ter a realidade conduzindo a vida.


Ela é apenas palavra, impotente sensação que dá e passa.


Dito popular é experiência que alguém vivenciou e eternizou em lei. 


No quarto escuro o corpo inerte finge que vê tv.


Brincando de ¨ não tô nem aí ¨.


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