Em certas situações não cabem palavras .
Os sons emitidos penetram no canal auditivo , mas não chegam ao coração .
A dor , lancinante , anula o significado delas .
Um abraço , um olhar , um aperto de mão , gestos simples , produzem mais resultado . São bálsamos mais eficazes sobre as feridas abertas .
Às vezes a simples presença , quietinha , silenciosa , é suficiente para demonstrar solidariedade no momento difícil .
Aquele momento em que chegamos a duvidar da existência de Deus .
E Deus ? Ele escreve certo por linhas tortas , como dizem ?
Não .
Os verbos que exprimem Sua presença não precisam ser flexionados . E Sua perfeição impossibilitaria que escrevesse em linhas tortas . Ante Sua pena , imediatamente tais linhas se paralelizariam em harmônica perfeição , tal como O escritor .
Deus escreve . Ponto . Verbo intransitivo .
A Ciência , fria como máquina sem coração , nos explica o que deu errado , mas não consola .
A religião , cada uma a seu modo , apresenta os percalços como a vontade de Deus . Mas , às vezes , a fé não é suficiente para entender e aceitar o que se apresenta como inaceitável , como castigo divino .
Um sábio amigo , experiente companheiro de viagem , me disse , quase sem querer , como dizem os sábios , que a vida é como um carro , em que o retrovisor interno e o para-brisas assumem papéis distintos .
O retrovisor interno focaliza o passado . Ao olharmos para ele , visualizamos tudo que ficou para trás . Tem sua função , mas , se nos fixarmos nele , deixamos de olhar para a frente , e as consequências podem ser fatais .
O para-brisa , imenso em relação ao retrovisor , nos aponta o que vem à frente . Visualiza o futuro . É nele que devemos fixar nosso olhar , com a máxima atenção . Olhar para trás , para quem está ao volante do carro , significa desviar a atenção do que está à frente . Significa perder o foco no futuro .
A rota do carro é longa , e cheia de obstáculos . Devemos ultrapassá-los com mão firme ao volante . Encontraremos pela frente estradas tortuosas , curvas sinuosas , ladeiras íngremes , desvios , buracos , imperfeições na pista de rolamento , sinalizações erradas , placas apagadas , trechos sem acostamento . Acidentes de percurso , fatalidades , dissabores ...
Mas não devemos , ao volante , perder o foco no para-brisas . Olhar com firmeza para a frente nos fará chegar ao destino .
A estrada é longa , mas está só começando para quem planeja o futuro .
Outras chances de buscar a felicidade virão . E serão aproveitadas , pois o amor é o combustível que move esse carro .
E , com essa torcida toda , convenhamos , a viagem se torna um verdadeiro passeio .
Não tardará e o banco traseiro estará cheio . Tenham fé . E levantem a cabeça .
Para Gabriel , Juliana e os futuros avós .
Nós amamos vocês . Muito .

Gostaríamos todos de nunca ter que passar pelo o vale das sombras. No entanto, atravessamos e os verdes campos nos esperam.
ResponderExcluirObrigada.
Ângela.
Depois de muito tempo sem vir aqui deparo-me com este texto...
ResponderExcluirAs lágrimas vieram fáceis, difícil é encontrar palavras para agradecer a quem se fez tão presente, vivenciou a alegria em tds os detalhes, planejou junto, e dividiu a dor tornando-a menos pesada.
Obrigada pela presença, pelo apoio, pelas palavras e orações.
Te amo irmão.