No quarto escuro o corpo inerte finge que vê tv.
O relógio passou da marca que limita o dia, delimita a noite.
Mais um ciclo cumprido no quarto escuro.
O pensamento, senhor de nós, autônomo, vontade própria, não cabe dentro do quarto escuro, espaço concreto impotente para encurralar a abstração.
Divaga, solto, longe de onde nos encontramos fisicamente.
Vai e volta, quando, ele sabe, a vontade era ficar onde teima em ir.
Vontade...
Nem sempre ela determina, quase sempre ela nada significa diante do que temos que cumprir, acatar, aquiescer, aceitar.
Ele se esvai e voltamos a ter a realidade conduzindo a vida.
Ela é apenas palavra, impotente sensação que dá e passa.
Dito popular é experiência que alguém vivenciou e eternizou em lei.
No quarto escuro o corpo inerte finge que vê tv.
Brincando de ¨ não tô nem aí ¨.
