quarta-feira, 16 de maio de 2012

CHUVA



Chuva...


O barulho no vidro da janela desperta pensamentos. A água desce suave, ritmada, quase brisa ... garoa .

Chuva...


Se leve, é bálsamo, vai molhar raízes que cortarão o solo em busca de luz . É vida .

Se forte, provocará enchentes, avalanches, catástrofes. É morte.

Seu desprendimento do céu determinará quão boa ou má sua presença em nossa vida.

Chuva...


Se leve, desperta brincadeiras, alegria. Banho de chuva é passaporte para a infância, despreocupação, folia. É felicidade pueril.

Se forte, atiça preocupações, estado de vigília, sirenes a tocar. Caminho para a tragédia. É  arma letal.

Chuva...


Sua intensidade é análoga ao amor, sentimento tão sujeito às intempéries, tão igual a ela, a chuva.

Ou o amor não parece tempestade quando se é sentido forte, intenso, pleno ?

Sentimento sentido  qual água descendo ladeira, avalanche levando tudo de roldão.

Ou o amor não parece garoa quando se é sentido doce, tão intenso quanto o outro, mas calmo, leve... E, por ser tão suave, muito mais penetrante ?  

Chuva...


Tal qual a vida , se intensa traz consequências quase sempre trágicas. Intensidade, em ambos os casos, é prejudicial.

Mas se leve, fraca, é para ser curtida devagar, dolentemente, gostosamente.

Chuva...


Forte preocupa, inquieta , acende alerta.

Fraca acalma, aconchega, aquieta.


Chuva...



 

Um comentário:

  1. Cabral. Hoje, quando todos os meus neurônios gritam: Timão eô!... esse texto me fez respirar fundo, dar uma acalmada, uma relaxada, só com a imagem da chuva na janela. O texto acalmou, aquietou, aconchegou. Obrigado por tê-lo compartilhado comigo. Abraço!!

    ResponderExcluir